a saudade fará mais por mim. por nós e por mim, do que nosso amor e sua desajeitada e irrefletida presença.
¶ 11:25 PM1 Comentários
Domingo, Agosto 09, 2009
com você, ela bem é silêncio. se força a formular palavras que recheam a teoria que já formou na cabeça à seu respeito. ela é tão fria, e tão descrente a teu respeito que mal não faria calar. e cala. cala pra não se ferir com as palavras que cortam a garganta ao descerem pra laringe e chegarem, em explosões, ao estômago.
aspira o cigarro, gritante, pra não gritar o que já não sabe se gritaria, se pudesse. gritar pra quê? a falta de força dela, em relação a tudo que chega de encontro a ela que te diz respeito, vomita pro vento na fumaça daquilo que ela nem quer, e nem gosta de fumar. você.
porque você é quase deus. que vem pra dizer a ela que as coisas não fazem sentido, não criam sentenças, que formam palavras. que tudo que há pra se apegar nesse mundo, em forma de expressão, é completamente dispensável.
' o deserto da espera já cortou os fios'. desatados, os nós que pairam dentro dela, se acumulam e se esgotam.
¶ 8:45 PM1 Comentários
Segunda-feira, Julho 27, 2009
ame a regra.
'Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Que tem que ser vivido até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata.'
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto.No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
sentei no banco da faculdade vazia hoje, com um copo de cafe e fiquei. fiquei lá falando um pouco sozinha. sobre a falta de chão com o banco, a faculdade que me parece um número menor que meus pés, dos nossos desencontros, da nossa solidão bonita. sentei lá e entendi.
volto quando os musculos não estiverem doendo tanto. e conto o resto.
¶ 12:32 AM1 Comentários
Sexta-feira, Junho 19, 2009
do meu colonial acaju.
Decidi te dar um post.
Independente da comovente significação de 'porque escrever por alguém', eu quis te dar um post. Porque independente de onde e como isso vai parar, achei justo falar pra alguém terceira pessoa real. Já que todas as terceiras pessoas que aparecem por aqui, sou eu ou alguma parte de mim.
Abandono o que é pronto, e digo adeus. Porque ninguém se anula com ninguém e graças a deus a gente não precisa disso. O bom de ter alguém que canta com você é que esse alguém pode criar outros timbres para cantar aquilo que você sempre cantou. E adivinha? Você não se divide com as pessoas, você pode se potencializar com elas.
O tempo sentiu inveja e decidiu que era melhor ser mais veloz. E a gente só faz eterno aquilo que quer. Não é imortal, talvez eterno. Mas tem diferença. Existe uma resignação no imortal, de sacramentação que a palavra "eterno" não me denota. Eterno pode mudar, mas é eterno mesmo que mude. Mesmo que aumente, mesmo que diminua. Permanece.
Você me fez bem. Eu com essa minha maldita maneira de não permitir que ninguém permaneça por completo, essa minha mania de querer cantar sozinha, eu quis você por perto pra aprender a cantar diferente. Adivinha só? Passarinho não nasce pronto. E eu ainda não sei escrever pra uma pessoa seja fora do meu dentro, pelo excesso de mim que há em mim. Eu preciso de mais tempo.
Eu que só faço chover.
Existe uma parte dela, uma daquela que ela insiste em preservar, que aparece quando chove, quando o dia é cinza, quando se fala em passado, quando é preciso ser sozinha.
Essa ela, essa eu (sempre na terceira pessoa, eu sei), precisa respirar ares novos. Essa tem uma influência de uma coisa meio vermelha meio roxa, meio intensa que quer sair pra dançar, que quer andar sem NUNCA parar e sem chegar a lugar nenhum. Essa que quer, do mundo todo, a casa pra morar.
Ela também quer permanecer, mas ainda é menos do que a vontade que bate no fundo do peito de ser completa da melhor maneira possível. E eu, que incessantemente procuro me ser mais completa, dou de cara com essa parte de mim que recarrega as baterias, aquece as canelas e está sempre pronta pra mais uma caminhada. Ela sabe daquela verdade Lispectoriana de ser: 'o que há de se fazer com a verdade que todo mundo é um pouco triste e todo mundo é um pouco só'.
Eu respiro, sinto que é ela chegando de novo. Talvez fosse ela o gato machucado que voltou pra casa nos meus sonhos dessa semana, talvez seja você, talvez seja ele. Talvez não seja ninguém.
Mas ela está aqui. Porque a gente é pequena. Mas mora na grandiosidade de tentar ser sempre maior.